Não
Não quero mais ser ridícula. Ao menos não por opção. Posso, sim, ser ridícula, mas involuntariamente. Assim eu até aceito. Mas fazer-me ridícula, quando sei que não preciso sê-lo, isso não. Não mais.
Quero ser apenas eu mesma. Ser plenamente.
Quero pensar, sentir e dizer as coisas, mas sem a sensação de estar sendo ridícula.
Em outro momento, doei-me, sem pensar. Coloquei tudo de mim em cada palavra e gesto. Fi-lo porque julguei ser o momento. Julguei estar começando a viver algo que ainda não conhecia e que, por isso mesmo, merecia a minha totalidade. Este foi o meu erro: julgar como certo algo que não dependia apenas de mim.
Não que eu tenha me arrependido, pelo contrário. Nos momentos mais difíceis é que se revela o melhor de nós. Descobri que tenho força e desprendimento suficientes para renunciar a algumas coisas em busca de outras maiores. Tanto que, até o último instante, eu tentei. E foi exatamente nesse momento que percebi o quanto estava sendo ridícula.
Sim, porque doar-se para os outros pode ser muito bonito, e por isso mesmo ridículo. Ainda mais quando você sabe que não há mais o que se fazer e insiste em acreditar que pode haver ainda uma solução. E você, ridiculamente, percebe que não, que é o fim mesmo. E se sente o maior dos imbecis. O maior ridiculo que já houve.
Mas não se engane. Eu ainda quero ser ridícula. Ridícula em cada célula, em cada sílaba que eu disser. Quero ser ridícula, mas sabendo que não é em vão. Sabendo que do outro lado há um outro ridículo. E o mais importante: sentir-me ridícula, mas ridiculamente feliz.
Bárbara [04/02/07 às 22:42h PM]
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