
Ali, ao lado. Aqui, bem pertinho. Eles estão por todos os lugares. Olhamos, mas não os vemos. Lamentamos, mas continuamos a ignorá-los. Somos extremamente hipócritas, sujos, egoístas. Sentimos pena, mas continuamos a jogar comida no lixo. Sentimos até vontade de ajudar, mas isso é trabalho de outras pessoas. Fugimos da responsabilidade. Abrimos mão do direito de fazer a nossa parte. Expulsamos do peito qualquer sentimento destinado a algo ou alguém que não faça parte de nossas vidas, como se a vida do outro fosse problema apenas dele. Atiramos no esgoto o comprometimento com o coletivo. E assim, simplesmente morremos para o mundo.
Porque não adianta orar com fé. Não adianta sentir-se culpado. De nada vale acreditar em Deus. Nada disso tem valor, se no fim das contas nada se faz. Para fazer sentido, é preciso agir. Para fazer efeito, é preciso acreditar. Para acontecer, é preciso trabalhar.
Sim, a fé sem obras é nula. Nada se concretiza no pensamento. Para ser verdade é preciso luta, suor, garganta. Desejos e ideais são apenas o ponto de fuga, onde nos miramos para desenhar e construir a perspectiva. É preciso sair do pedestal, pisar no chão, mas sem deixar de voar.
Quem diz não haver solução, desistiu. Quem diz não haver tempo, virou as costas para o futuro. Quem diz não ser suficiente sozinho, esqueceu que o que se faz, mesmo que seja pouco, faz sim a diferença.
Dessa maneira, fazer de conta que o outro não existe não é uma saída. Acreditar em si mesmo e nos outros é o único meio de passar pela vida sem arrepender-se. É preciso priorizar as pessoas, deixar de olhar para o próprio umbigo e perceber a grandeza de tudo. Entender o quanto precisam de nós...
Bárbara [14/04/07às 02:31 h AM]
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