domingo, 14 de outubro de 2007

Subconsciência

Vou vagando em pensamentos vagos.
Recordo um dia distante, busco sentido para as palavras.
E acordo sob a luz da ignorância total...
Não tenho controle.
Não tenho destino.
Tenho dúvidas.
Procuro infinitamente a mim mesma.
Entendo-me perdida.
Escrevo coisas, sem pensar no que são.
Não leio, nem corrijo. Não modifico.
Apenas o grafite trabalha no papel em branco.
Não penso, escrevo. Não quero pensar.
Continuo a escrever, não leio. Não olho.
Escrevo...
Paro.
Tomo o lápis.
Agora sou eu.
Sim... Agora vejo. Não quero a borracha.
Quero seguir em frente. As linhas acima permanecem vivas, mas não vão comigo. Ficam onde estão.
Prossigo. Ainda não pensei em alterar os escritos.
Apenas sigo. Vejo o final da página, está próximo.
Logo chegarei ao fim e terei de virá-la. Farei.
Faltam seis. Preciso preparar-me para isso.
Cinco, e já não serei mais isso de agora.
Ainda quatro: quero começar de novo.
Três e já não haverá enganos.
Sim, agora só duas.
Enfim, vou adiante. E o lápis vem comigo...


Bárbara

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Ressaca do mar...
Ia-te, e eu preferia que ficasse.
Então era a minha vez de partir.
Ia você, ia eu. Íamos.
Mas, assim com as marés sempre retornam, sempre voltavas.
Eu, longe onde estava, era novamente atraída,
E todos os pensamentos de outrora tornavam-se areia.
Evitando mais uma retirada, eu buscava os motivos, as verdades.
Não queria mais a oscilação das águas,
Queria a certeza da terra.
Assim, percebi que por mais que quisesse, eu não havia mudado.
Fui sempre a mesma.
E você, para mim, sempre o mesmo.
Sempre você...

Bárbara

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Dizeres

Me diz o que é.
Diz pra onde foi.
Pra onde fui.
Por que fui.
Aonde vou.
Me diz o que é céu.
Diz por que é escuro.
Onde vai dar o muro.
Quem ensinou o caminho.
Por que seguir por lá.
Me diz o que faço aqui.
Diz para que eu sirvo.
Explica por que é que eu vivo.
Onde é que fica o perigo.
Por onde devo andar.
Me diz por que eu não consigo.
Diz como é possível.
De onde tirar o riso.
Me ensina a caminhar...

Bárbara [19/08/07 às 11:32h AM]

Remanescências

O que resta?
O começo de um vazio que sempre esteve lá, camuflado em palavras futuras, imerso na fatalidade do "não poder".
O que resta?
O saber-se só, que na noite do ocorrido é a única certeza do mundo.
Mas o que resta?
A eternidade de tudo, desse sentimento de impotência, do não saber, do não querer. A sensação de nunca estar certo, a vontade de se esconder, o desejo de não pensar.
O que resta mais?
Uma comunhão de sons, que se traduzem a todo momento em simples ondas de insignificante amplidão.
Resta a verdade do dia a clarear, que demora a chegar, o fim da noite longa que se fez. Sem vontade, sem sono, sem sonho.
E o que resta, então?
Resta tudo, nada, mas talvez algo. E o que vem a seguir é tudo o que não sei.
Há muito se perdendo. Há muito a se perder. É o que sei dizer...

Bárbara [08/07/07 às 21:25h PM]

No limiar

Vou ficar até amanhã.
Ficarei aqui, estática, até que olhes, e vejas, e entendas.
Que o dia chega sempre na hora certa.
Que a folha cai quando é o momento mais propício.
Que a luz ilumina tudo o que se há de ver.
Que o som da voz nem sempre é necessário.
Que paciência é sempre essencial.

Isso tudo eu disse a mim mesma.
Libertei-me da obrigação de ser isto.
Ora, por que ser barroca se posso ser árcade?
INUTILIA TRUNCAT!

Vem já o novo dia, a apressar-me.
Levanto e vivo o que me foi dado por mais essa manhã de sol.
E de chuva, porque o sol brilha todos os dias.
Escolhas sejam feitas. A minha eu já fiz.
Vou carpediar...

Bárbara [23/05/07 às 18:30h PM]
[O texto a seguir foi escrito há uns quatro anos. Acho que eu tinha uns dezesseis. Mas enfim, saiu isso aí... hehe]

Como?

Como quisera dizer de ti o que palavras não podem?
Se tudo o que existe parece pequeno à tua presença e sem vida à tua ausência?
Como quisera sentir-te perto se, mesmo perto, tão longe estás ao meu alcance?
Como quisera entender o que nem o mais sábio dos sábios tivera chance de explicar?
E como quisera não amar a quem faz de uma lágrima um sorriso e de um pecado uma virtude?
Dizendo estou, então, que és tudo em mim.
O que quer que possa significar...

Bárbara

Passagem



Quem me dirá?
Quem haverá de saber?
Seguem-se as sombras, sem previsão para melhores dias.
O homem do tempo, acredite, não saberá explicar.
A mais inteligente criatura não saberá questionar outra coisa senão o que fizemos do mundo.
Haverá escassez de verde? De azul?
Haverá escassez de nós?
Provável final. O que se quer se tem, isso é certo.
Por isso, se faz necessário saber exatamente o que se deseja.
Faz-se necessário pensar. Pensar no depois de tudo, no que vem a seguir.
Não quero olhar e simplesmente não ver. Quero saber, ter, viver.
Nada de lamentos. O momento de mudanças é todo momento.
Tempo, louco tempo. Aproveitar o que ainda resta.
Eternizar o que possuímos, o que fará falta.
Usar a energia; recompô-la.
Plantar o que somos e o que queremos ser.
Colher boas palavras e ações. Colher paz.
Nos resta aprender a amar.

Bárbara [14/04/07às 3:25h AM]

O homem


Ali, ao lado. Aqui, bem pertinho. Eles estão por todos os lugares. Olhamos, mas não os vemos. Lamentamos, mas continuamos a ignorá-los. Somos extremamente hipócritas, sujos, egoístas. Sentimos pena, mas continuamos a jogar comida no lixo. Sentimos até vontade de ajudar, mas isso é trabalho de outras pessoas. Fugimos da responsabilidade. Abrimos mão do direito de fazer a nossa parte. Expulsamos do peito qualquer sentimento destinado a algo ou alguém que não faça parte de nossas vidas, como se a vida do outro fosse problema apenas dele. Atiramos no esgoto o comprometimento com o coletivo. E assim, simplesmente morremos para o mundo.
Porque não adianta orar com fé. Não adianta sentir-se culpado. De nada vale acreditar em Deus. Nada disso tem valor, se no fim das contas nada se faz. Para fazer sentido, é preciso agir. Para fazer efeito, é preciso acreditar. Para acontecer, é preciso trabalhar.
Sim, a fé sem obras é nula. Nada se concretiza no pensamento. Para ser verdade é preciso luta, suor, garganta. Desejos e ideais são apenas o ponto de fuga, onde nos miramos para desenhar e construir a perspectiva. É preciso sair do pedestal, pisar no chão, mas sem deixar de voar.
Quem diz não haver solução, desistiu. Quem diz não haver tempo, virou as costas para o futuro. Quem diz não ser suficiente sozinho, esqueceu que o que se faz, mesmo que seja pouco, faz sim a diferença.
Dessa maneira, fazer de conta que o outro não existe não é uma saída. Acreditar em si mesmo e nos outros é o único meio de passar pela vida sem arrepender-se. É preciso priorizar as pessoas, deixar de olhar para o próprio umbigo e perceber a grandeza de tudo. Entender o quanto precisam de nós...

Bárbara [14/04/07às 02:31 h AM]

Anseios

A lua brilhou como o sol ao meio-dia.
Fez-se tão risonha quanto jamais vi.
Quem me dera fosse sempre assim...
Como a lua muda. Como a lua inunda.
Como deságua, como circunda.

Sua luz banhou a terra. A terra tornou-se verde.
Ali a vida. Ali a lida.
O vento semeia alegria. Grãos de existência em seus braços.
Assim chegam aos seus destinos. Dos ares às flores, ao chão.
Só o que quero ser: semente.

Semente de tudo o que há por vir. De nascer, de produzir.
De nuvem, de folha, de chuva.
Quero o mundo todo em mim. Não quero mais só o pensamento.
Meus instantes hei de doar a tudo o que vive.
Hei de viver por tudo o que existe.

Ver teu sorriso. Ouvir teu canto. Sorrir-te..

Bárbara [27/03/07 às 00:24hAM]

Recônditos rincões

Sentir tudo. Sentir nada. Sentir, apenas.
Como distinguir as sensações?
Vem-me a consciência uma lembrança.
O que ela me traz?
Saudade? Vertigem?
Não sei dizer.
Aliás, pouco tenho a dizer, porque pouco sei.
Por que penso, quando sei que isso nunca resolve?
Por que eu não simplesmente aceito, como tanta gente faz?
Por que eu não esqueço de uma vez?

Perguntas, apenas.
Inevitavelmente acordarei amanhã e pensarei tudo novamente.
E inutilmente, eu diria.

Pensar às vezes me irrita. E eu, que não tenho tido paciência para tantas coisas, desejo infinitamente dormir.
Não para sempre, mas até que eu consiga acordar e, milagrosamente, não pensar naquele fato. Ou na ausência dele.
Não pensar no quão estúpida eu consegui ser. Não pensar no que me machuca ainda.
Esquecer.
Esquecer logo.
Esquecer tudo.
Dormir em paz.
Acordar em sol...

Bárbara [17/03/07 às 02:42h AM]
Fui caminhando de manhã, pensando muito.
Pensei tanto que cheguei a achar que talvez já soubesse.
E realmente sabia. Soube desde o primeiro dia.
E o que eu sabia?
Não sei, fiz questão de esquecer.

Bárbara [23/02/07 às23:17h PM]

Não

Não

Não quero mais ser ridícula. Ao menos não por opção. Posso, sim, ser ridícula, mas involuntariamente. Assim eu até aceito. Mas fazer-me ridícula, quando sei que não preciso sê-lo, isso não. Não mais.

Quero ser apenas eu mesma. Ser plenamente.
Quero pensar, sentir e dizer as coisas, mas sem a sensação de estar sendo ridícula.

Em outro momento, doei-me, sem pensar. Coloquei tudo de mim em cada palavra e gesto. Fi-lo porque julguei ser o momento. Julguei estar começando a viver algo que ainda não conhecia e que, por isso mesmo, merecia a minha totalidade. Este foi o meu erro: julgar como certo algo que não dependia apenas de mim.

Não que eu tenha me arrependido, pelo contrário. Nos momentos mais difíceis é que se revela o melhor de nós. Descobri que tenho força e desprendimento suficientes para renunciar a algumas coisas em busca de outras maiores. Tanto que, até o último instante, eu tentei. E foi exatamente nesse momento que percebi o quanto estava sendo ridícula.

Sim, porque doar-se para os outros pode ser muito bonito, e por isso mesmo ridículo. Ainda mais quando você sabe que não há mais o que se fazer e insiste em acreditar que pode haver ainda uma solução. E você, ridiculamente, percebe que não, que é o fim mesmo. E se sente o maior dos imbecis. O maior ridiculo que já houve.

Mas não se engane. Eu ainda quero ser ridícula. Ridícula em cada célula, em cada sílaba que eu disser. Quero ser ridícula, mas sabendo que não é em vão. Sabendo que do outro lado há um outro ridículo. E o mais importante: sentir-me ridícula, mas ridiculamente feliz.

Bárbara [04/02/07 às 22:42h PM]

Entendimentos

Hoje acordei lúcida.
Pensamentos me tomaram em turbilhão, e finalmente entendi.

Entendi que, por mais que eu tente e precise disso, não posso romper o silêncio.
Entendi que as palavras vêm à boca apenas quando existem para serem ditas.
Compreendi que não basta ter tudo para dar certo. Que afinidades são apenas ponto de partida e que gostar pode não ser suficiente.

Vi que as pessoas te procuram quando precisam de você e, se não o fazem, é porque na realidade não precisavam tanto assim.
Vi que o tempo realmente leva tudo, principalmente aquilo que você gostaria que ficasse por aqui.
Vi que palavras podem ser muito bonitas, mas que se não forem combinadas a bonitas atitudes, só fazem machucar mais.

Compreendi o movimento. A chuva cai e volta a subir. O sol some e volta a surgir.
Se a natureza impõe sua lei aos homens, não sou eu quem vai querer mudar isso.

Decidi não insistir na tentativa de harmonizar coisas, pessoas e situações incompatíveis entre si.
Decidi não querer entender o que ninguém pode explicar.
Decidi fazer das pessoas um ramo da minha vida, cujas folhas podem secar e cair, sem que com isso eu me vá também.
Preferi abraçar o mundo, mas só no pensamento.
Resolvi continuar amando, tudo e a todos, porque preciso disso, mas sem esperar nada.

E essas reflexões, tão abissais quanto etéreas, são a resposta às minhas dúvidas.
Se o tempo te quer levar, e se você quer ir, quem sou eu pra pedir que fique?
Como dizes, o tempo é o senhor de tudo. E eu não vou lutar com ele...

Bárbara [28/01/07 às 13:37h PM]

Inerte

Sim, aqui estou. Escrevendo pra ver se ajuda um pouco.
Sofro por saber que sinto o que não se deve sentir e nada posso fazer para desfazer isso.
Essa sensação de estagnação, de impotência.
Essa vida universal, que segue seu caminho e sempre me leva aonde quer, sem me perguntar o que eu quero.
Ela é quem manda em tudo? Vai ser sempre assim?

Na verdade, isso não tem muita importância, pois não posso controlar a natureza. Não posso e não quero. Quero só ficar aqui, olhando.
Já que a minha vontade não é a vontade do mundo, só me resta continuar andando, sempre levada pelo vento.
Aonde vou chegar eu bem queria saber. Mas comprei a passagem sem perguntar o destino.

Bárbara [28/01/07 às 11h AM]